Entrevista Exclusiva com Du Serena

Publicado em 16/09/2009 - Por

Du Serena falou em entrevista exclusiva para o Psicodelia sobre a cena eletrônica, o público curitibano e suas expectativas para a próxima edição da Tribe.

duserena

Ao final dos anos 1990, quando o Psy Trance começava a despontar no Brasil, Du Serena iniciou sua carreira como DJ, tornando-se cada vez mais conhecido mundo afora pela inovação e qualidade de seu som. Na onda de uma cena que ainda era recheada de festas promovidas para um público restrito, Du Serena desenvolveu o núcleo Tribe, que neste ano comemora seu oitavo aniversário. Se ao longo desses oito anos, a Tribe cresceu e se diversificou,  o mesmo se pode dizer a respeito do som de seu fundador, atualmente bem mais voltado para vertentes como minimal, techno e prog. Nesta entrevista, o principal nome por trás do núcleo Tribe fala sobre a evolução da festa, que cada vez mais abre espaço para as diversas vertentes da música eletrônica, e sobre a popularização das raves. Du Serena conta ainda o que irá rolar na edição curitibana da Tribe, que acontece em 17 de outubro.

Confira a Entrevista

1) O que o público curitibano pode esperar como a mudança mais significativa da festa que irá acontecer neste ano, se compararmos com as edições anteriores? A Tribe de Curitiba já virá com mais cara de festival? Quais aspectos apontam isso? A grande novidade da Tribe Curitiba para este ano chama-se House Village. Trata-se de uma terceira pista e será um espaço dedicado a House Music…. Não qualquer House, mas sim aquele que acreditamos que combina com a cara da festa! Os artistas foram escolhidos a dedo de maneira muito cautelosa e criteriosa. Curitiba foi escolhida especialmente para essa nova empreitada, pois achamos que o público aí, além de ser super crítico, maduro e antenado, está total aberto para novidades e novas vertentes. Já estávamos ensaiando uma nova pista faz tempo, e estou bem empolgado para ver o resultado. Desde 2007 quando fizemos o primeiro Tribe Club (que lá era a 3ª pista) no aniversário de 7 anos, estamos mudando a cara da Tribe e levando-a ao patamar de festival. Agora em Curitiba isso fica nítido com a entrada do House Village. 2) Então você concorda com muitos DJs e artistas que afirmam que o público curitibano tem fama de ser muito crítico em relação ao som que rola nas festas? De alguma forma isso influencia a escolha das atrações para uma festa na capital paranaense? Concordo e fico extremamente feliz toda vez que sou chamado para tocar em Curitiba. Isso porque acho o dancefloor mais aberto para novas coisas e me sinto mais livre pra tocar as músicas que mais gosto. Não é em todo lugar que isso acontece !! Sem dúvida nenhuma isso influencia (para o bem) a composição do line up da Tribe Curitiba, pois gostamos de testar coisas novas sempre, mas existem cidades onde você deve ousar menos. 3) A Tribe sempre se destacou pela cenografia diferenciada. O que vocês buscaram valorizar em cada um dos palcos neste sentido? A grande cenografia fica para o Main Stage porque é lá que concentramos as nossas idéias e a arte se manifesta mais. A nova tenda em formato de 8 (que comemora a tour de 8 anos) e o novo palco são as maiores novidades. O palco foi desenhado e projetado por um artista paulista muito talentoso chamado Rafael Calazans, que junto com o VJ Charlie, fizeram os dois telões gigantes que também servem de decoração do palco principal. Esse projeto se chama DIGITAL SPRAY, que é basicamente a projeção do VJ Charlie em cima das pinturas do Calazans… (abaixo o vídeo para entender como funciona)

O Tribe Club e House Village a gente quer dar mais cara de club mesmo, então o investimento maior vai para telões de Led e Luzes. 4) Por que vocês optaram por um terceiro palco (House Village) ao invés de manter algumas das atrações (como King Roc) no Tribe Club, como aconteceu no ano passado? A gente queria segmentar mais os estilos…! Estamos levando ao público curitibano a house music que achamos bacana! Esse é o diferencial! Dentro do house existem vários estilos, e o que vc no line up da festa eh aquele que vamos levantar a bandeira. A história do King Roc é puro amadurecimento do festival. Todo espaço novo começa sendo mais flexível, misturando um pouco os estilos, até porque, nós mesmos vamos aprendendo mais sobre cada vertente. Ano passado ele (King Roc) tocou no Tribe Club que é o espaço que levamos mais para a linha techno, mas o som do cara é total house / tech-house e achamos que ele se enquadraria melhor no Village. Mas ele poderia facilmente tocar no Tribe Club sem problema algum. Só que a idéia é segmentar, e é o que estamos fazendo. 5) O público que frequenta raves há mais tempo costuma reclamar da rápida popularização que vem ocorrendo nos últimos anos. Eles apontam, entre outras coisas, a perda da identidade e o espírito das festas originais, feitas entre amigos. Como produtor, qual sua visão sobre esse aspecto? Quais são as perspectivas em relação ao crescimento da cena? Eu concordo e discordo com esse ponto de vista. Discordo porque eu acho que quem faz a festa é vc, e se está acompanhado de pessoas bacanas, seus amigos e gente que te faz bem, qualquer lugar fica ótimo. Não adianta nada estar na melhor festa do mundo se você não tem com quem curtir. Por outro lado, é difícil você conseguir manter o espírito amigável das festas pequenas em eventos maiores. Eu costumo dizer que o início da cena no Brasil, entre 98 e 2002 eram os tempos de ouro. Naquela época a maioria dos eventos não tinham fins lucrativos e os produtores estavam mais preocupados em se divertir que ganhar dinheiro. A própria Tribe não se via como negócio, e sim como uma festa que era feita de amigos para amigos. Tudo aquilo era novo, ninguém tinha grandes expectativas e fazíamos em nome da curtição… Essa atitude trazia uma magia a mais para toda a cena que era muito menor e mais amigável. Foi um momento especial que passou. Não estou dizendo que não existe mais magia e amizade nas festas de hoje, mas quem viveu aquele início sofre um pouco com a grande mudança do tamanho e estilo dos eventos open air. Quem viveu aquilo teve sorte, mas agora estamos em outro momento, mais profissional, com mais oportunidades, onde é possível sonhar mais alto e por fim, fazer esses sonhos virarem realidade. Acredito que todas as cenas de música do mundo passem por esse processo, que conforme vão ficando mais populares, ganham mais adeptos àquele estilo, começam a sair do “underground” para se tornarem grandes potências do entretenimento. Foi assim com o Rock, Jazz, Pop, Eletrônico, etc e vai ser assim com qualquer outro estilo que venha a nascer e se popularizar. 6) Assim como grande parte das festas open air brasileiras, a Tribe começou como uma festa de psy. Hoje, entretanto, há cada vez mais espaço para outros estilos, com artistas renomados de minimal, techno, house e prog. Essa mudança é resultado de uma tendência mundial ou de uma exigência do público? A Tribe sempre foi uma festa que tocou Psy, mas desde sempre colocamos artistas de progressive, daquela linha de som escandinava que já não se escuta mais por aqui. De alguma maneira, aquele som estava muito ligado ao psy trance, mas era sim um estilo diferente, com bpms bem mais baixos e que por isso, colocávamos mais pro final da festa. Mas a decisão de colocar uma tenda focada no vulgarmente chamado “low bpm” (acho horrível esse termo) foi uma exigência interna (da Tribe) mesmo! Em 2006 eu comecei a tocar uma linha de som mais voltada para o progressive e me dividia entre gigs de full on e progressive. Foi aí que pensamos em criar o Tribe Club, que nasceu em Dezembro de 2007. 7) Frequentadores de festas e DJ’s costumam criticar o que chamam de “falta de renovação do psy trance”, em contraste com as outras vertentes da música eletrônica. Você concorda com isso? De que forma essa questão interfere na escolha das atrações da Tribe? Concordo. O full on / psy-trance é um som super complicado de se produzir. Ele é rápido e extremamente cheio de elementos, efeitos e truques. Por ter um BPM acelerado, que vai de 140 a 146 (geralmente), o espaço entre um kick (batida) e outro acaba sendo muito pequeno o que acaba tirando um pouco da liberdade dos produtores de ousarem em novas coisas. Isso acaba deixando o estilo um pouco engessado. Mas isso também é normal. Aconteceu com o Techno no início dos anos 2000, que ficou bastante repetitivo e praticamente desapareceu do Brasil. Anos depois voltou com tudo. Todos os estilos têm altos e baixos, e aqueles que acham que o full on está morrendo e pode desaparecer, que fiquem espertos para não morderem a língua daqui algum tempo eheh. Em relação à escolha das atrações da Tribe, procuro sempre estar antenado nas novidades de todo o mundo. Recebo MUITOS promos do mundo todo, e nem dá tempo de escutar a metade… quase todo dia chega alguma coisa nova para mim de algum produtor que eu não conheço. Tenho certeza de que tem coisa boa ali, mas eu precisaria abrir mão de muitas das minhas responsabilidades pra escutar tudo. Dentre as coisas que gosto, vou atrás de mais músicas e se são boas, a gente chama para a Tribe. No techno e house está mais fácil pois ainda tem muita gente que não tocou. Já no trance está mais difícil, mas ainda tem bastante produtor antigo que ainda não tocou, e que eu gostaria de chamar. Os novos vão aparecendo eventualmente, Krunch é um deles. .8) Gostaria de deixar uma mensagem para o nosso público? Eu gostaria de agradecer imensamente o carinho e a confiança que o público do sul tem depositado no nosso trabalho. Eu acompanho de perto as críticas e elogios nos fóruns e e-mails… Também gostaria de ressaltar que Curitiba foi escolhida especialmente por nós para o lançamento do House Village, e que a Tribe Curitiba tem um dos melhores line ups da história do evento. Espero que gostem de tudo Abraço a todos!

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