Coisas da Cena
Publicado em: 28 de novembro de 2012 | Atualizado em: 11 de abril de 2013

Será apenas a música eletrônica de fato, a grande vilã do consumo de drogas entre os jovens?

É comum as pessoas culparem a música eletrônica pelo consumo de drogas, mas será mesmo esse o problema, ou um comportamento dado como aceito pelo sistema?

Quando se pensa no hábito dos envolvidos direta ou indiretamente na Cena, sejam estes DJs e o público em geral, vem à tona o uso de substâncias psicoativas. É de conhecimento geral a inerência do ser humano ao consumo em alguma fase da vida, sejam estas classificadas em lícitas ou ilícitas, como álcool e drogas naturais ou sintéticas.

Não existe uma motivação específica para justificar sua utilização. Mesmo sabendo dos inúmeros malefícios, as pessoas assumem esse risco por inúmeros motivos, tais como depressão, timidez, solidão, insegurança, frustração, rebeldia, autoafirmação, curiosidade, inserção em um grupo e principalmente para a busca de novas sensações.

A droga pode passar a impressão de bem-estar momentâneo e de excitação prolongada, mas não para todos que experimentam. Muitos não se adaptam com o estado de alteração da consciência alcançado e não excedem a fase de iniciação para a de utilização costumeira, o que prova desta forma que não é o acesso que fomenta o uso. 

Seja na porção inferior da pirâmide social em que não há acesso pleno à informação ou na incapacidade de comunicação com os perfis de renda mais elevada, que buscam sempre o prazer instantâneo estando indiferentes às consequências, as campanhas de conscientização são incapazes de atingir de modo eficaz qualquer público alvo.  

Atualmente muitos profissionais da área acreditam que a melhor tática a ser adotada é a de diminuição de danos, elucidando da melhor maneira possível tais indivíduos. Apesar da prática ser inconcebível para a enorme parcela conservadora da população, é fundamental deixar visível que qualquer droga cobra um alto preço pelo uso.

Torna-se fundamental que não seja feito apenas um trabalho de esclarecimento aos situados nesse perfil, principalmente os mais jovens, mas de instruções relevantes aos eventuais usuários. O que parece ser um tipo de incentivo em uma primeira análise, é na verdade encarar de frente a dura realidade a qual fazemos parte.

Precisa ficar claro que não é a maconha a única porta de entrada nesse universo, mas também o comportamento dos pais frente aos filhos, fazendo uso de anti-depressivos e remédios para dormir ou emagrecer, e através do costume de fumar ou de tomar aquela tradicional dose de uísque para "relaxar" após um dia de trabalho.

Pior ainda os que permitem e incentivam as crianças a dar um “golinho”, acender o cigarro ou pedir para ir até estabelecimentos adquirir tais produtos. Portanto, o que estes precisam é parar de serem hipócritas, e entenderem que a sua relação familiar é um dos fatores mais importantes para uma melhor conscientizacão sobre o tema. 

Culpa em parte da associação enraizada na cultura contemporânea, que atrela tais substâncias “socialmente aceitas” à felicidade, dinheiro e sucesso. Combinado com o cotidiano observado desde muito cedo, molda de forma distorcida o comportamento dos mais novos, por estarem ainda na importante fase de formação dos valores individuais.

Pergunto-me até quando a sociedade irá ser falsa moralista, a ponto de continuar fingindo que algo está acontecendo. Pretende lutar contra um inimigo que nem ao menos conhece. Desconhece seus efeitos no organismo e o que provocam no longo prazo. Já passou da hora desse assunto deixar de ser tabu e ser tratado como prioridade.

Desta forma, fica extremamente perceptível que não é o estilo de música ou o tipo de evento que define o seu uso, pois existem inúmeros fatores envolvidos nessa questão. É preciso parar de uma vez por todas com esse estereótipo negativo de que todos os frequentadores de festas eletrônicas e raves são na sua quase totalidade usuários.  

Há também um consumo muito expressivo desses entorpecentes em shows de rock, reggae, rap, funk e até no famigerado sertanejo, como no recente caso do evento Caldas Country, em que ocorreram diversas situações dessa natureza. Ou seja, se a real intenção for a de consumir, isso irá ser feito ouvindo qualquer gênero musical. 


Uns acham praticamente impossível suportar uma festa inteira sem algum "aditivo", entretanto, muitos outros acreditam ser perfeitamente possível. O que define esse comportamento é o que o público acredita como necessário para “poder curtir numa boa” e o que cada um estipula como seu “limite aceitável” para alcançar tal estado.

Enquanto as pessoas continuarem indo às festas de uma forma totalmente inconsequente e tendo nessas substâncias o único meio de válvula de escape para os problemas do cotidiano, subordinando a música à uma total irrelevância, essas situações de excesso vão continuar se repetindo. De que lado você está? Faça sua escolha!

Quem é consciente, tendo total noção do certo e errado, possui suas "capacidades" muito bem definidas. Cada um faz o que acredita ser o melhor pra si, e os que têm personalidade não se deixam influenciar pelo comportamento dito “inadequado” dos que lhe cercam. Saiba se divertir com responsabilidade e aprecie o som como deve ser.

Está provado cientificamente que as sonoridades em que melhor nos identificamos propiciam o mesmo efeito de alguns alucinógenos, bem como atividades prazerosas como praticar sexo, por exemplo. Sendo assim, CURTA A MÚSICA E USE-A SEM RESTRIÇÕES. Serão mesmo as drogas indispensáveis para esse fim? Pensem nisso!

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Críticas, sugestões e elogios são sempre muito bem vindos. 
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Espero que tenham gostado. Até a próxima!

imagem de alexandrealbini
Escrito por: Alexandre Albini

DJ pela AIMEC no ano de 2007. Colaborador do Portal Fly by Nighjt e do site e revista House Mag. Tem como hobbie escrever sobre música eletrônica nas horas vagas. Sua linha musical atual engloba o Minimal e Deep/Nu-Disco.

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