Dorivando
Publicado em: 20 de maio de 2013 | Atualizado em: 20 de maio de 2013

Dorivando - #005

Doriva Rozek inicia a temporada 2013 da Dorivando com uma entrevista com Dan Primaru, da Tzinah Records, videos do Sunwaves 13 e muito mais!

Olá, meus queridos leitores, como estão? Faz muito tempo que não me comunico com vocês por aqui, peço desculpas por todo esse tempo de ausência. A última edição tem mais de cinco meses, mas prometo que esse ano vou com força total. Então vamos ao que interessa?

Nessa edição do Dorivando conversei com um cara que além de muito gente boa, é dono de um selo incrivelmente foda. Acompanhem a seguir: uma entrevista com Dan Primaru ou mais conhecido como Primãrie, dono de uma label romena que eu escuto há muito tempo, a Tzinah Records. O review do novo EP do produtor paulista Bmind. Minha indicação de disco e algumas coisas que rolaram no Sunwaves 13, festival que acontece em Mamaia, às margens do Mar Negro, na Romênia.

Antes de tudo, vamos ouvir um mix impecável do meu amigo Laurentiu Suciu aka Faster, gravado ao vivo no Dented Melons, em Londres, no último dia 12 de Maio. Play e vamos à leitura! ;-)

 

A Tzinah Records é uma daquelas labels com curadoria artística apurada. O trabalho muito bem feito por Dan Primaru é digno de elogio. São raras as labels que não erram a mão em seus lançamentos e a Tzinah é uma delas. Para explicar melhor como foi que ela nasceu eu deixo o próprio Dan explicar:

"A ideia da Tzinah como uma gravadora veio quando senti que poderia ter algo a mais junto comigo. Senti que poderia participar mais da indústria, mostrando o que eu entendo por ser música, música romena e sentimentos reunidos em faixas. Há cerca de três anos, quando eu percebi que as pessoas não lembravam de certos momentos, mas, sim, de uma track. Eu comecei a desenvolver a ideia e em cerca de seis meses a Tzinah nasceu."

ENTREVISTA

Doriva Rozek: Hoje em dia, a Tzinah é um símbolo de qualidade única. Como você conseguiu chegar a esse nível?
Dan Primaru: Fico lisonjeado quando ouço isso e eu tenho que agradecer a todos pelo grande apoio que temos! Obrigado a vocês por acreditarem no som da Tzinah. Acho que chegou a este nível, sempre levando nosso trabalho a sério, sempre tentando ser tão profissional quanto podíamos e, claro, tentar fazer que o nosso som seja ouvido e reconhecido entre todas as outras labels que soam diferentes. Existe uma quantidade de amor que uma música tem que ter para ser lançada, e esse amor nos move! Então é isso que nós fizemos.

DR: Eu falo muito com DJs e produtores romenos e sobre a música que é feita aí. Você acha que o House e Techno da Romênia são únicos?
DP: Definitivamente tem uma assinatura. Mas nunca se sabe. Nós não somos fixos para trabalhar apenas com os romenos ou som romeno. Às vezes você pode encontrar uma grande faixa de um artista que está no outro lado do planeta. Isto é o que a música faz, a música conecta as pessoas. Como quando o Techno de Detroit foi ouvido pela primeira vez em Detroit, então o mundo o conheceu e trouxe um monte de artistas com ele. Agora a onda romena faz o mesmo, na minha opinião.

DR: Alguma vez você já pensou em lançar em vinil?
DP: Sim, claro que temos pensado sobre isso. Mas tenho que dizer que criamos algo a partir do nada e quando nos sentirmos capazes de prensar a nossa música em disco, faremos com certeza. Nós não queremos isso agora só porque o vinil é o hype novamente, queremos fazer para os amantes do vinil e da música.

DR: Você tem em seu casting alguns artistas considerados família. Fale mais sobre isso.
DP: Assunto muito delicado este em relação à família. Consideramos família o artista que se filia à nossa ideia, com o mesmo conceito. É difícil passar a fazer parte e mais difícil deixar de fazer. Vamos ver algumas mudanças reais em breve para a nossa família. Encontramos alguns grandes artistas que queremos manter cada vez mais perto. Nós lidamos por mais tempo com os artistas deste grupo, da família, cuidando das suas necessidades ligados à nossa. Vamos incluí-los em showcases, promovê-los como Tzinah Artists. Logo, a família vai ser uma agência de booking também. Mais informações sobre este assunto em um futuro próximo.

DR: Aqui no Brasil temos alguns problemas como: a burocracia, muitos eventos não têm uma direção profissional e DJs locais não são bem pagos. Quais os problemas que você enfrenta? Eu vejo que você produz alguns showcases para o selo.
DP: Que bom que você mencionou os showcases, porque aqui temos os nossos problemas também. Nós lidamos com promoters não-profissionais, lidamos com pessoas que só querem fazer lucro, temos principalmente problemas de orçamento. Às vezes, o artista tem que pagar pelo seu transporte e, em seguida, esperar que tudo seja coberto pelo evento. O que nem sempre acontece. Somos livres para apostar em tudo o que acreditamos, mas quando se trata de tocar a nossa música e mostrar nossos artistas, a 'burocracia' aparece. Na Romênia você tem que ser bem relacionado com um monte de gente para fazer algo acontecer. Odiamos o fato de que os artistas que estão realmente mostrando algo inovador começam a ficar em casa e aquele que é bem relacionado a alguém, consegue tocar em todos os lugares. Mas, no momento, este é o mundo em que vivemos, se nós queremos mudar alguma coisa sobre isso, devemos nos unir mais e fazer do nosso jeito. E é isso que nós vamos fazer com certeza!

DR: Você sente que a sua música está se tornando mais importante a cada dia que passa?
DP: Como eu disse antes, no momento não estamos sentindo isso como deveríamos. Provavelmente porque não começamos a mostrar a nossa música, como é normal. Mas, no futuro, vamos fazer isso. Para nós, eu poderia dizer que isso é o que estamos fazendo todos os dias e não podemos sentir imediatamente que somos ou não somos importantes para a cena EDM. Vamos falar sobre isso em 10 anos a partir de agora. Tenho certeza que depois podemos voltar a este assunto.

DR: Eu quero saber de você, dono de uma gravadora ascendente, que está fazendo um grande e sério trabalho. Qual é a sensação de ter o reconhecimento de artistas globais?
DP: Eu sinto amor. Eu os sinto amar o que estamos fazendo. Release após release, os feedbacks são sempre ótimos. Me faz chorar de felicidade. Isto é o que nos faz trabalhar mais, mais profissional e sempre oferecendo o melhor do nosso som e do nosso coração.

DR: Você vê novos talentos crescendo em seu país?
DP: Sim, eu tenho meus olhos em todos, é claro. Alguns serão grandes artistas, outros não. Aqueles que estão fazendo isso com o coração e com o amor ligados, terão algo a dizer no futuro. Infelizmente, há um monte de caras, que não são artistas, que estão se aproveitando o som romeno. Mas isso vai ser resolvido com o tempo. Tempo diz tudo. :)

DR: O que você sabe sobre DJs e produtores brasileiros? E da América do Sul?
DP: Eu não conheço muito sobre DJs e produtores brasileiros, mas com certeza você tem uma grande vibração em atividade por aí. Temos em nossa gravadora dois artistas brasileiros, além de outro de Buenos Aires e neles você pode ver o amor no que fazem. Nós, os romenos, também nos sentimos latinos e podemos nos conectar uns com os outros, acredite em mim. É tudo sobre o modo de vida que temos, a maneira como vivemos e que nós apreciamos mais sobre a vida.

DR: Por último, mas não menos importante, o que você diria para os jovens DJs e produtores que estão dando seus primeiros passos na carreira, e tendo a Tzinah como referência?
DP: Só tenho a agradecer a todos eles por fazer a Tzinah um ponto de referência e meu conselho é: fazer o que sentem, para que se auto-impulsionem pela emoção e pelo coração. Faça o seu próprio som e acreditem em si. Façam todas as coisas com muito amor.

Hoje o selo já está em seu 39º lançamento.

SERVIÇO

Site oficial: www.tzinahrecords.info
Soundcloud: www.soundcloud.com/tzinah-records
Beatport: www.beatport.com/label/tzinah-records/16592

Bmind - miri i EP

Jaime aka Bmind é um produtor paulista que eu conheci há pouco tempo através do meu amigo - também DJ e produtor - Dee Bufato. Já tinha ouvido algumas coisas dele junto com o próprio Bufato, e esse EP ficou digno de review aqui. O EP MIRI I tem quatro tracks originais e está difícil de escolher a melhor.

“Dirijo” tem a levada mais chill sobre uma bateria lindamente construída e um vocal de um indígena falando. O piano caótico da um tom assustador em certo momento, sempre em um tom de ambiência profunda e hipnótica.

“Aquela Roda” já toma um ar de mistério. Com muitos elementos no contratempo nos faz até ter uma certa confusão mental pela metade da música. No fim, você percebe que tudo soou tão bem que você teve uma viajem introspectiva e nem se deu conta. Destaque para a introdução, onde as notas soam tão bem que é imperceptível quando elas desaparecem.

“Miri i” começa com uma gama vasta de instrumentos diferentes, seguindo sempre de um shaker, ambientado por algumas crianças se divertindo. Contrastado pelo clima obscuro que chega a seguir, com a levada rítmica quebrada e ao mesmo tempo linear.

“Atitcha sá” começa com um ar minimalista e vai ganhando forma percussiva. Bem constituída na parte instrumental, tem uma pegada mais Techno. Com um certo brilho exponencial nos synths e um bassline muito, mas muito bem trabalhado. Daquelas músicas que eu acho que nunca vou tirar da minha case.  

Fica minha ênfase a esse ilustríssimo lançamento que com certeza vai figurar os sets de muita gente.

Sunwaves 13.

O festival acontece duas vezes por ano à beira do Mar Negro, em Mamaia, na Romênia. A primeira edição de 2013 foi entre os dias 3 e 5 de maio.

Com um line-up sempre invejável, o destaque fica em apoio dos artistas nacionais, onde mais de 50% dos artistas que se apresentam nos 3 dias de festa são romenos.

Os artistas de fora sempre seguem sempre a mesma linha - Zip, Ricardo Villalobos, Richie Hawtin e Marco Carola são alguns exemplos.

Agora, o que rolou?

Teve Ricardo:

Marco Carola

 a.rpia.r

Afterhour com Alexandra

 Mr. Hawtin

Afterhour com Rhadoo & Ricardo

 

Tá bom pra vocês?

Disco da Semana

Sepp
BIATAC / LAMARTINE
(Vinyl Only)
Andromeda 03

A jovem label romena Andromeda lançou no último mês seu novo release. Assinado pelo também romeno Sepp. São duas tracks: “Biatac” tem uma levada slow-tribal com elementos que se jogam no espaço juntos de um bassline que dá força à musica. Já “Lamartine” tem uma ambientação mais chill, abusando de timbragens mais sérias tornando a ambiência uma apreciação interessante.

Links:

http://www.decks.de/t/sepp-biatac-lamartine/c1d-nl
http://www.discogs.com/Sepp-Biatac-Lamartine/release/4509996
http://www.chemical-records.co.uk/sc/servlet/Info?Track=ANDROMEDA003

O Dorivando acaba aqui. Obrigado leitores que sempre se interessam e mandam sugestões para a coluna.

Vou deixar o link do meu podcast feito para a coluna, foi gravado há duas semanas.

 

Se quiserem me contatar, meu Facebook é: http://facebook.com/dorivarozek

Nos vemos na próxima, keep spinning.

DR.

imagem de doriva
Escrito por: Doriva Rozek

Doriva Rozek, assim é conhecido e assim que prefere ser chamado. DJ há quase cinco anos e, em breve, produtor. É dedicado e apaixonado pelo que faz. Além de assinar a coluna Dorivando, aqui no Psicoledelia, ele, junto com outras duas pessoas, apresenta um programa sobre música eletrônica, na Rádio Univali, de Itajaí, em Santa Catarina.

Comentários

Cadastre seu e-mail e receba uma vez por semana um resumo com as principais notícias do Psicodelia!

Psicodelia no Facebook