A área vip do Burning Man e o caso de vandalismo

Saiba mais sobre o acontecimento mais polêmico da última edição do evento

Eliel Cezar em 13 de Setembro de 2016

Um dos aspectos mais marcantes dos festivais de contra-cultura é a crítica que costumam fazer aos valores considerados negativos da nossa sociedade, quase sempre o consumismo e individualismo exagerados. Por isso, em eventos desse tipo imperam os discursos pregando a igualdade, simplicidade e respeito ao próximo.

Acontece que, cedo ou tarde, os festivais de grande porte acabam flexibilizando esses conceitos. Sabem como é, todos tem contas para pagar no final do mês. E quando esses conceitos são flexibilizados demais, costumam gerar alguma insatisfação entre o público mais fiel. Dependendo do nível, a insatisfação pode gerar protestos e eventualmente, protestos podem descambar para o vandalismo.

Foi o que descobriu (da pior forma) Paul Oakenfold e seus sócios durante a última edição do Burning Man, um dos festivais alternativos que mais reforçam a idéia de vida em comunidade. Em parceria com outros 2 sócios, o DJ britânico montou o White Ocean, basicamente uma área VIP para a galera rica curtir o festival com garbo, elegância e conforto. Aqui uma foto de parte da estrutura:

Com o passar dos dias a notícia da área exclusiva (e segundo dizem, do mal comportamento dos seus habitantes) foi se espalhando pelo festival e gerando uma pequena revolta do público, especialmente entre o pessoal mais antigo que considerou aquilo um verdadeiro desrespeito à "essência do Burning Man". A resposta/desabafo veio na forma de um pequeno "arrastão" na área do camping, quando um grupo de pessoas invadiu o território da White Ocean detonando barracas, trailers, espalhando toda a comida e água pelo chão.

O caso foi descrito pelos organizadores do camping no Facebook da marca:

 

"Este ano tem sido um grande desafio para o nosso camping [...] Foi uma confirmação absoluta e definitiva de que alguns sentem que não somos merecedores do Burning Man"

 

Mas ao invés de conseguir a solidariedade do público, o post acabou atraindo nos comentários uma enorme quantidade de pessoas aplaudindo a ação dos vândalos e criticando a presença da White Ocean no Burning Man.

É fato que o Burning Man tem se tornado um point de muita gente rica e aleatória de todos os cantos do mundo. Entre os que já foram vistos por lá estão: Ronaldo, Paris Hilton, Jared LetoSergey Brin (co-fundador do Google) e Elon Musk (fundador da Tesla, PayPal e SpaceX) também já passaram por lá. A cada ano que passa o festival parece estar se tornando uma espécie de sonho de consumo da galera cheia da grana e acostumada a lugares exclusivos. As questões que ficam após esse episódio são:

 

  • Até que ponto a presença dessas pessoas estraga a diversão alheia?
  • Quem dita o que pode e o que não pode em um festival tão avesso à regras como o Burning Man?
  • Esse tipo de atitude extrema é válido?
  • Quem ganha e quem perde com essa história?

 

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Fontes: Telegraph e InTheMix

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