Arte no LSD

Como uma droga com distribuição ilegal se transformou em arte.

Marina Tavares em 20 de Setembro de 2016

Via http://trancentral.tv/

Uma droga com distribuição ilegal pode se transformar em uma forma de arte? Colecionar arte pode te colocar na cadeia? E como um sistema de substâncias ilegais se transformou em uma forma de preservar a história da cultura psicodélica e um mercado de colecionador? E onde você pode aprender sobre tudo isso? Encontre respostas e conheça um pouco de quase 50 anos de arte no LSD.

Albert Hofmann (11/01/1906 – 29/04/2008) foi um cientista suíço, e a primeira pessoa a sintetizar, ingerir, e aprender sobre os efeitos psicodélicos da dietilamida do ácido lisérgico (LSD), uma droga que veio a ser um sinônimo da juventude dos anos 50 e 60, e das gerações hippies nos EUA e no mundo. O LSD era legal no início, inclusive nos EUA, até se tornar ilegal na Califórnia em 06 de outubro de 1966, e logo em seguida em outros estados e países.

Albert Hofmann segurando a arte de Timothy Leary (via Blotter Barn)

Enquanto era legal, o LSD foi distribuído na forma líquida, pílulas, cápsulas, ou colocado em cubos de açúcar. Era disponível para compra nos laboratórios Sandoz, na Suíça, onde Hofmann trabalhou, e muitas aplicações médicas estavam sob investigação.

A distribuição ilegal

Depois que o governo dos EUA tornou o LSD ilegal, as pessoas continuaram usando, mas com fabricação e distribuição ilegal. Uma maneira popular de distribuir o LSD foi através do papel. O papel absorvia o LSD líquido. Mais tarde, foi perfurado com linhas, de modo que pudesse ser rasgado facilmente, e pequenas imagens simbólicas foram adicionadas, para proporcionar pistas sobre a origem do LSD que o papel continha. As imagens simbólicas tornaram-se gradualmente desenhos criativos e surpreendentes, mais tarde ganhando existência independente.

Máquina de perfuração original (via Blotter Barn)

A pessoa que originalmente deu espaço à arte com LSD e identificou-o como uma forma de arte foi Mark McCloud, um artista que vive em São Francisco, e ex-professor de arte. Sua coleção - parte da qual você pode encontrar em seu site, Blotter Barn - começou nos anos 70, e hoje em dia, tem mais de 400 desenhos emoldurados, e dezenas de milhares de folhas não emolduradas, constituindo a maior coleção de papel do mundo.

O início 

No início, a arte no papel somente poderia ser obtida com LSD contido nele. McCloud comprou as folhas, colocou em quadros, e pendurou como obras de arte. Inicialmente, foi muito difícil para McCloud colecionar (de forma legal) as folhas de arte, então, ele teria que se aventurar no mundo underground, e pedir aos vendedores para conseguirem as mesmas imagens, mas ao longo do tempo, ele ganhou a confiança das pessoas. Mais tarde, ele também começou a produzir as suas próprias imagens, e a sua coleção se tornou uma forma de arte completamente legal. 

Tetragrammaton, 1977 (via Blotter Barn)

Isso não o impediu de ter problemas com a lei, ele foi processado em 1992, e novamente em 2003, mas foi absolvido depois de longas batalhas legais. Você pode aprender mais sobre McCloud e sua coleção, visitando sua casa em São Francisco, com um museu dedicado a ele, que ele chama: "O Instituto de Imagens Ilegais".

Outra pessoa que levou essa arte a uma nova dimensão foi Thomas Lyttle, que depois de uma reunião com Mark McCloud, começou a sua própria coleção de arte. Após colecionar por um tempo, ele começou a abordar pessoas da cultura psicodélica, como Albert Hofmann, Timothy Leary, Ken Kesey, e muitos outros, e pediu-lhes para assinar edições limitadas, cópias de arte numeradas à mão. Estas, então, foram emolduradas para exibição em museu, e vendidas. Este foi o início do que tem sido chamado de arte no papel. Isto é, papel que foi produzido exclusivamente para arte, para um colecionador, e que nunca foi destinado a ser mergulhado em algum tipo de droga. Alguns papéis foram autografados e vendidos por milhares de dólares.

"Rose & Pearls" de Mouse / Kelley, assinado por Timothy Leary (via Worthpoint)

Hoje em dia, essa arte parece ser próspera, existem sites dedicados que vendem pelo mundo, o mercado de colecionador próspero existe também, e peças são vendidas por preços altos, sem LSD envolvido no processo. Um longo caminho de como tudo começou há quase 50 anos.

Confira uma galeria de arte:

Arte assinada por Merry Pranksters 

Albert Hofmann, 1984 (via Blotter Barn)

Alice através do espelho, 1993 (via Blotter Barn)

Beavis and Butthead (via Blotter Barn)

Passeio de bicicleta, 2000 (via Blotter Barn)

12 capas de álbuns do Grateful Dead, 1985 (via Blotter Barn)

Hieronymus Bosch, 2008 (via Blotter Barn)

Tubos de ensaio dançando, 1988 (via Blotter Barn)

Perfil de Timothy Leary (por Mark McCloud)

LSD Sixty (via Blotter Barn)

Maia, 1984 (via Blotter Barn)

Om, 2006 (via Blotter Barn)

Orange Op (via Blotter Barn)

Plastikman (via Blotter Art)

Purple Jesus. Arte por Alex Grey, 1992 (via Blotter Barn)

Rolling Stones (via Blotter Art)

White Tara, 2003 (via Blotter Barn)

O Mágico de Oz. Assinado por Merry Pranksters.

Fonte http://trancentral.tv/lsd-blotter-art/

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