Jhou Haller e a cena Trance underground

Conversamos com essa importante figura da cena paranaense, confira!

Camila Canabarro em 09 de Fevereiro de 2017

Já faz algum tempo que o Psytrance undergound do Brasil anda em uma fase de efervescência. No sul do país por exemplo, os pequenos núcleos desempenham um importante trabalho carregado de desafios e esforços diários que refletem diretamente na qualidade dos seus festivais. Em meio a tudo isso, Jhou Haller é um cara que vêm se destacando como um nome fortemente conectado a esse circuito atuando como DJ e produtor do festival Terra Azul.

Seus sets transitam entre o full on e o progressive, são intensos, bem conectados e passam a essência da vanguarda do Trance sem deixar a modernidade de lado, afinal, Jhou não deixa de ser um ótimo pesquisador e sempre busca trazer algo novo para o público. O excelente trabalho tem gerado reconhecimentos importantes em sua carreira, como o último final de ano em que foi convidado a participar do Adhana Festival. Confira o set gravado:

O atista também está a frente do festival Terra Azul, evento que já escreveu capítulos importantes da história do PsyTrance no sul do país. Além de levar a boa música ao público, o evento entrega toda a cultura quer envolve o Trance para um público diversificado. Para isso, o festival investe em uma experiência completa com line up valorizando artistas nacionais e internacionais, além de investimento de peso em estrutura oferecendo ao público um dos melhores espaços para esse tipo de evento: a Fazenda Evaristo em Rio Negrinho -SC.

"desde o início a organização foi independente e familiar, aplicamos ali apenas os conceitos que vieram de berço e sentimos como se estivéssemos abrindo a porta da nossa casa para recebe-los"

Este ano o Terra trará nomes já conhecidos da cena como Element e contará com dois palcos já nomeados de Gralha Azul e Araucária, fazendo referência a natureza do Paraná. O terra acontece entre os dias 6 e 7 de setemebro, no final da matéria você encontra link para compra de ingressos. 

 

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

P: O Terra Azul é um dos principais festivais independentes de Sul. Ele é conhecido por ser um festival para toda a família, através de ocupações e intervenções artísticas como a dança, iluminação e decoração que proporcionam uma experiência diferenciada aos frequentadores. Como tem sido desenvolver esse conceito? Quais são os principais desafios?

J: Este conceito está na raiz do Terra Azul, desde o início a organização foi independente e familiar, aplicamos ali apenas os conceitos que vieram de berço e sentimos como se estivéssemos abrindo a porta da nossa casa para recebe-los, cada um que entra é muito especial para nós e com isso temos recebido o reconhecimento por ser um festival familiar, acolhedor e que deposita muito amor no público.
Enquanto mais conceitual é um projeto maiores vão ficando os desafios, mas acreditamos que os limites somos nós que criamos e que o Terra azul ainda tem muita história para contar.

 

 

P: Vamos falar um pouco sobre sua carreira como DJ. Quais os melhores momentos de 2016?

J: Passou tão rápido, mas 2016 foi mais um ano especial na minha carreira, tive muitos momentos de conexão verdadeira e reconhecimento do público que renovaram minha inspiração e me motivaram a expansão e continuidade, aproveitando, quero agradecer aos núcleos Psilocibyn, Delic Street, Tríade trance, Forest in Trance, Progressive, Psicodelia e Adhana Festival pela parceria, sabemos o quanto 2016 foi trabalhado por todos.

Ao público faço um agradecimento especial pelos momentos de conexão que criamos com a música, e em breve nos encontramos novamente para mais momentos como estes.

 

P: De modo geral, a cena brasileira vive um momento histórico. Como público, assistir qual apresentação é seu grande sonho?

J: Falando da cultura nacional está existindo uma renovação muito boa, diversos novos projetos e parcerias surgindo que logo estarão fazendo a alegria da galera na pistas, mas posso dizer que apesar de já ter visto algumas vezes, ainda considero um sonho ver o nível de evolução que o Gustavo Manfroni ( BURN IN NOISE ) tem chego, recebendo reconhecimento de destaque internacionalmente, fazendo uma apresentação no Adhana Festival que foi de cair o queixo.

 

P: Você acha que hoje em dia há mais pressão para pensar em como vender música?

J: A arte de forma geral é extremamente desvalorizada por aqui, o que movimenta grande parte desse mercado ainda é a paixão, mas claro que temos alguns destaques que conseguem um reconhecimento maior pelo seu trabalho. O trance não é um mundo de fantasia em que as coisas acontecem independentes da realidade, e se analisarmos a situação atual logo percebemos que não está para festa, ou para quem trabalha com isso e vender música está totalmente atrelado a esta realidade.

 

P: Fale um pouco mais sobre suas rotinas como Dj. Principais referências, desafios diários, métodos de pesquisa… nós adoraríamos saber algo a respeito disso.

J: Meus Dj sets são marcados pela introspecção e alegria, desde o início quando ainda tocava Progressive Trance, sempre me inspiraram artistas que tinha a capacidade de colocar multidões na mesma sintonia, com o passar do tempo surgiu o desejo de criar uma nova conexão com o público foi quando migrei minhas pesquisas para o Full On onde atualmente exploro principalmente as ambiências noturnas em dj sets consistentes e energéticos.
Os principais desafios são os mesmos de se fazer um evento, conseguir criar um projeto conceitual e que receba a aceitação do público e para isso são horas e horas de pesquisa e combinações que gerem um efeito positivo nas pistas.

 

TERRA AZUL em imagens

 

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