Review – Mystic Tribe – Free Minds for a Spring Time

Publicado em 20/10/2011 - Por

Aconteceu, nos dias 15 e 16 de outubro, a 15ª edição do festival Mystic Respect em Sarapuí, interior de São Paulo. Com o tema “Free Minds for a Spring Time”, vem celebrar a primavera e a importância dos ciclos da natureza em nossas vidas. 

ESTRUTURA

A Fazenda União, em Sarapuí SP, recebeu mais uma vez um festival de grande renome nacional: Mystic Respect. Com uma configuração diferente da última festa na mesma fazenda, o Respect Festival, os locas de camping, chillout e mainfloor deram um giro anti-horário e acabaram dando a impressão de estarmos em outro local. E diga-se de passagem, bem mais agradável e aconchegante.

Lembrando mais as raves comercias do que festivais, os preços das bebidas foram um ponto mais que negativo, o que difere bastante das últimas festas. Água por R$ 5,00 e cerveja por R$ 6,00. Por uns instantes foi possível ser transportado para uma Kaballah ou XXXperience.

Característica já carimbada dos festivais de São Paulo: o quase inexistente lixo no chão. Público que dá exemplo a cada festival. Precisa ficar muito tempo procurando e prestando atenção nos outros, e não na festa, pra conseguir ver alguém jogar lixo no chão. Mérito também da organização que manteve os inúmeros latões de lixo sempre vazios.

O Soundsystem, já mais que consagrado pelo time da Respect, foi mais uma vez utilizado na Mystic Tribe. E isso é para alegria de todos pois só quem já esteve em frente daquela parede de caixas sabe o quanto é forte.

CENOGRAFIA

Mesmo com algumas pequenas re-utilizações da tenda da última Mystic Tribe (o que é normal), a tenda estava muito bonita e muito condizente com o propósito da festa. Além da beleza, ela foi mais que útil e exerceu muito bem o papel de proteger o público da chuva e da garoa, ajudando a manter o mesmo no mainfloor durante toda a noite e madrugada.

O stage do mainfloor foi uma obra de arte a parte. Imponente, durante a noite foi hipnótico com suas luzes, lasers e mapping. Durante o dia manteve sua imponência e deu um ar mais que místico com todos seus adornos.

ENTRETENIMENTO 

No final da madrugada, um pouco antes de amanhecer, o grupo BIOLUMINI fez uma apresentação com malabares de fogo em frente ao mainstage bastante impressionante, chegando a ter 8 participantes ao mesmo tempo. Intervenções artísticas como essa são e serão sempre bem-vindas. Filmamos quase toda a apresentação, confira no vídeo abaixo:

LINE-UP

Maratona para o corpo e a mente, é assim que as 30 horas de line-up da Mystic Respect pareciam exigir do público. De cara, duas atrações internacionais causaram bastante alvoroço nas redes sociais: A.K.D e One Tasty Morsel (A.K.D teve uma notícia mais detalhada sobre do seu retorno aqui no nosso site, que pode ser lida aqui).

One Tasty Morsel, um dos grandes nomes mundiais quando se fala em progressive dark psytrance, teve alguns problemas com o visto para o Brasil e não conseguiu vir a tempo para a festa, conforme foi explicado pela organização através de sua page no Facebook.

Devido as fortes chuvas que caíram nos dias e horas que antecederam a festa, todo o panorama do festival sofreu alteração. Logo na entrada, após a revista, um “rio” passava perto do primeiro estacionamento. O início da festa sofreu 4 horas de atraso. As 14 horas, horário que era pra começar, ainda era possível ver o muitas pessoas trabalhando na tenda, nos detalhes do mainstage e no soundsystem. A feira também ainda estava sendo montada pelas lojas. O chillout começou quase no horário, um pouco depois das 14hrs e a decoração já estava toda pronta.

Um pouco antes das 18hrs, Pedro Tchou deu início no mainfloor. Quando se pensa em 1º DJ, obviamente se pensa em warm-up. Mas depois de quase 4 horas de atraso (claramente entendíveis por causa das condições do tempo), muita gente na pista esperando pelo início da festa e aquela impaciência natural no ar, um warm-up não parecia ser algo muito… adequado. E foi assim que Pedro Tchou começou a Mystic Tribe, sem volta de apresentação, largando nos 200 Km/h. Sem dó, largou o dedo no fullon e começou a festa em grande estilo.

Com todas horas de atraso, a organização imprimiu o line-up atualizado e colocou impresso perto do caixa. Mesmo assim o line-up não foi seguido a risca com DJs tocando mais tempo e outros nem se apresentando, como foi o caso dos projetos Swarup’s Brain, Biel e outros.

Mais exigentes para a mente do que para o corpo, as atrações de dark trance apontavam a Mystic Respect como uma das melhores festas do ano para os amantes da vertente.  Depois de algumas horas de fullon night, as 23h em ponto, estreiou o live do novo projeto de Necropsycho e Dark Wisper: Ogoun, que foi muito bem recebido pelo público e fez uma excelente apresentação.

E ninguém mais que Kindzadza, que foi motivo da viagem para muitos, chamou muito a atenção durante sua apresentação, inclusive dos que não são ferrenhos fãs de dark trance. Mesmo com a garoa indo e voltando e preparando a lama do próximo dia, o público não tirou o pé do mainfloor, muito pelo contrário, só foi aumentando.

Furious fez a alegria dos amantes de um dark mais underground tocando por mais de 2 horas. Se não bastasse já todo o perrengue por causa da chuva e garoa que ia e vinha durante toda a madrugada, por volta das 7h50 da manhã, já claro e Furious ainda tocando, o som falha e some. Alguns comentários sobre o término do diesel do gerador foram feitos, mas na verdade o que aconteceu é que o gerador estourou.

Pista esvaziando e a impaciência voltando. Mainfloor ficou sem som por mais de 1 hora. Furious volta ao stage e continua espancando nossas mentes com seu dark, mesmo as 9h da manhã. Embora o público, ávido por dark e de certa forma já satisfeito, demonstrava um certo cansaço.  Por volta das 10h, E.V.P entra e muda o panorama da festa após as quase 9h seguidas de dark trance. Mudança mais que necessária para a continuidade da festa, principalmente levando em consideração o horário, que quase sempre é destinado ao fullon.

E.V.P além de ser um ponto de virada na festa, conseguiu fazer o público começar a dar saltos mais altos no dancefloor. Foi quando o sul africano, Adam Metcalfe, ou apenas Headroom, entrou e fez a lama virar parque de diversões. Os poucos ainda acanhados com as condições do terreno tiraram os calçados, colocaram uma bermuda ou arregaçaram a calça e se juntaram ao front. E para alguns isso nem foi necessário, simplesmente saíram correndo e se jogaram na lama. Frescura ali não se cria, só dá oportunidade para expressão do mais puro espírito do trance.

2012, projeto de Diksha e Edu, já mais que consagrado, manteve a galera pulando e sem dar chance de sair do mainfloor. Sai Diksha, fica Edu, entra Zaghini. Sabe o que isso significa? Mais pedrada da melhor qualidade.

Agora é vez de Rosa Ventura. Se não bastassem suas afiadas técnicas de mixagem e excelente seleção de tracks, sua simpatia e alegria conquista tudo e a todos. É impossível não abrir um sorriso quando ela faz o mesmo. E o público maravilhado responde sempre na mesma moeda. Fica aqui a expressão que melhor representa sua apresentação: rolo compressor… quadrado. Atropelou o mainfloor e foi um dos grandes nomes da festa.

Uma das apresentações mais aguardadas, A.K.D, traz um pouco mais de calma para o festival depois de muito soco na cara, e claro, muito bem-vindos. Calma que em pouco tempo vira euforia, perplexidade e enfim, êxtase. Projeto israelense do mais puro progressive trance conseguiu elevar a pista a um outro plano. Apresentaram tracks do seu disco ProgressinG… e do próximo disco, que será lançando no final desse ano. É possível conferir no vídeo abaixo quase 10 minutos do início de sua apresentação.

Infelizmente não foi possível acompanhar as apresentações de Fábio Leal, único brasileiro que faz parte da toda poderosa Zenon Records, e também da Alanita, também brasileira e que vem desponstando na frente do universo do progressive dark psytrance, e integrante do selo Cosmic Conspiracy Records.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No início, a Mystic Tribe parecia estar fadada a um certo fracasso devido a chuva que caiu com vontade antes da festa. Essa mesma chuva também foi responsável por ser uma prova para os fãs da psicodelia. E ainda essa mesma chuva fez apenas os fãs mais ferrenhos saírem de suas cobertas num sábado chuvoso, colocarem a capa de chuva na mochila, viajarem por horas debaixo dágua e enfrentar o que é que viesse pela frente.

Todos os DJs fizeram seu papel muito melhor do que esperado, não teve uma apresentação que destoasse de outra. Todos mandaram um som de qualidade e uma experiência marcante para aquele público que resolveu enfrentar chuva e lama. Depois de toda dificuldade que o festival enfrentou, o estado de plenitude do público era mais que visível a medida que se ia chegando ao final. Todo o perrengue e esforço do corpo foi recompensado como alimento para a alma. A festa conseguiu transcender o fracasso e foi da lama aos céus.

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Fotos por Leonardo Sales.

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