Neste último final de semana, 13/03 ocorreu – finalmente – no Vale Das Brisas – Itu – SP a aguardada Respect Z-day. Confira o review e as fotos da festa!
Neste último final de semana, 13/03 ocorreu – finalmente – no Vale Das Brisas – Itu – SP a aguardada Respect Z-day. Sinceramente? Eu não consigo explicar muito bem a sensação que é estar em uma festa destas. A única coisa que sinto até hoje é a vontade de voltar para lá, naquele momento, com aquelas pessoas, as músicas e, claro: aquela energia maravilhosa. Sabe quando tudo coopera para que os únicos problemas existentes se tornem mínimos e quase que imperceptíveis perante os fatos? Exatamente o que aconteceu. Porém, como nada é perfeito, obviamente também tivemos algumas contradições. Queria fazer um review curto, com o principal da festa e pronto. Mas é praticamente impossível, pelo tanto de coisa que gostaria de falar. Então, vamos lá.
É até um pouco difícil relatar tais pontos, levando em consideração que são obviamente previsíveis e mínimos, se comparados a outras festas. Mas, como sempre, não podemos deixar de comentar. Afinal, somos formadores de opinião e, acima de tudo, relatar os fatos verdadeiros ao público da cena é muito mais que justo. Entrada: Não sei se esta é apenas uma opinião minha, mas não acho legal cobrar entrada de imprensa em raves. Não falo apenas em relação à Respect, mas sim de todas as festas. Sejam PVTs ou festas grandes, isso me passa a impressão de que a equipe está mais preocupada com o lucro, do que realmente com seu público. Levando em consideração que a Respect nunca cobrou entrada de imprensa (pelo menos não as minhas) e que tiveram um prejuízo gigante com o cancelamento da festa anterior, podemos até relevar o caso. Mas aproveito para registrar esta minha opinião aqui no blog. Revista: As revistas de festas menores e mais “rootz” são sempre muito mais tranqüilas, né? Nesta, não foi diferente. Rápida e simples, apenas abriram mochilas e deram uma olhada por cima. Ok: liberados! Filas: Quem chegou de madrugada reclamou das enormes filas para entrar na festa. Alguns amigos meus chegaram a ficar cerca de 2 horas na fila para conseguir entrar e curtir. Porém, o horário que eu cheguei estava mais tranqüilo, com poucas pessoas na fila. Banheiros e bares, ao menos nas horas que compareci por lá estavam tranqüilos. Tinham filas, obviamente, porém nada de assustador. Local: Quando passamos na estradinha que dá acesso ao estacionamento, a primeira coisa que pensamos foi: “Se chover, ficaremos presos”. Acho que deveríamos jogar na mega-sena (risos). Estradinha cheia de buracos, de mato, estreita e era uma descidinha. Ponto estratégico para atolar carros. Ah, lá dentro, logo quando entramos, tinha uma piscina, que estava com a água amarela. Não sei há quanto tempo não era limpa; só sei que ninguém ousou entrar para nadar lá (risos). Reciclagem: Há um ponto a comentar, que para mim não chega a ser um ponto negativo: reciclagem. Nas festas anteriores, cada latinha ou garrafinha de água poderia ser trocada por uma ficha de um real. Isso incentivava as pessoas a manter o local limpo, além de entender que reciclagem, além de ajudar o meio ambiente também vale dinheiro. Porém, nesta edição havia apenas um ponto para entrega de produtos recicláveis, além da coleta seletiva através dos lixos espalhados pela festa. Acho uma atitude digna de pessoas conscientes jogar o lixo no local correto. Mais consciente ainda, quem leva até o local de coleta, sem esperar que seja recompensado em dinheiro. Se somos amantes da natureza e dançamos junto com ela ao som de nossas amadas batidas frenéticas, nada mais justo que tratá-la bem. Mas para algumas pessoas não tão conscientes assim, infelizmente o simples fato de não recompensa para cuidar da natureza, faz com que joguem copos, garrafas e latas no chão.
Ah, são tantos. As pessoas, as atrações, o som, a estrutura, a energia, a decoração. É maravilhoso estar em uma festa que você vê família, crianças, cachorros, tudo em harmonia. Local: Sem palavras. Apesar de ser um local pouco estratégico em caso de chuvas (para saída de carros), o local era maravilhoso. Tinha um riozinho, um lago. Pessoas nadando, descansando, limpando pés, mãos. Local amplo, verde, com espaços cobertos também. Nome sugestivo: Vale das Brisas. Brisa do vento que batia às vezes, brisa das batidas das músicas, brisas das coisas inesperadas que aconteciam, como o elástico humano. Brisa de dançar sentindo um cheiro delicioso de incenso misturado ao cheiro do mato. E depois, a brisa de dançar descalça, na lama, depois da chuva que lavou a alma. Banheiros: Aqui temos um lado bom e um ruim. O bom é que tinham banheiros “comuns”, com pia e tudo, além dos banheiros químicos. Isso evitava filas gigantescas, além de permitir lavar as mãos e até nos olharmos no espelho quando quiséssemos. O ruim é que a situação, depois, ficou um tanto quanto nojenta. Decoração: Simplesmente linda, colorida, psicodélica. Não apenas pelo fato de proporcionar sombras, que nos protegiam do sol, ou apenas por ser toda com produtos reciclados. Mas principalmente por cada detalhe que tinha nela. A sensação que tive foi a de preocupação com o público. Parecia que a equipe tinha pensado em cada detalhe para preparar a festa com carinho, para um público fiel. Em cada ponto da festa havia algo que nos chamava atenção. Fosse um boneco, uma tela pintada, uma mensagem riscada.. Nas tendas o colorido se misturava com borboletas e bonequinhos “esquisitos” pendurados em vários pontos. Era sensacional descobrir um diferente cada vez que olhávamos para cima. – Logo na entrada tinham a frase PLUR traduzida. No caminho, passávamos por uma espécie de túnel. Primeira coisa que vinha à cabeça? Acabamos de passar pelo portal que nos leva ao outro mundo. “Bem vindos”. Atrações: Era só parar um pouquinho para esticar as pernas e olhar ao redor para ver cada hora algo diferente. O elástico humano, o ritual, os palhacinhos, a dança nas fitas. Tudo colaborava para que a alegria permanecesse no local junto com a harmonia. Estrutura: Como cheguei na festa domingo de manhã, não precisei acampar e, portanto não consigo passar informações concretas sobre o local de camping. Mas não ouvi reclamações. Fora isso, banheiros eram suficientes. Bares ágeis o bastante para não deixar filas quilométricas. A única observação que tive é que, já perto do final da festa havia acabado a água. Porém o problema foi resolvido, pois mais à noite havia pedido e me deram uma garrafa. Sem gelo, porém ainda tinha água. Line UP: Som Alto e na medida certa, que acompanhava seu ritmo. Não daria destaque para nenhum dj, visto que todos souberam levar a pista ao delírio. Mas, tenho a necessidade de dizer que, para mim, os 3 últimos djs do main stage valeram a dança na chuva com frio, descalça e toda molhada. Deutsch, Strange Doctors e Disfunction. Já no chill out, Pedra Branca, como sempre se destacou. Clima: São Pedro colaborou com um sol maravilhoso o dia inteiro. Porém, por volta das 16horas, ao olharmos para o céu vimos uma nuvem preta gigante a caminho. Minha galera e eu saímos da porta da festa antes de começar a chuva. Porém, no caminho para o carro ela começou com tanta força e vento que não conseguíamos nem enxergar direito. Pensa no desespero: frio, chuva, barro. Câmera, celular e roupa seca dentro da mochila. Sem contar nos tombos que levamos – não sabíamos se era melhor rir, gritar, correr ou tirar a sandália para andar melhor. No fim, alcançamos o carro encharcados, sujos e descalços. A única real preocupação era com a câmera – que estava salva! Nossa tentativa de sair do estacionamento e empurrar o carro só serviu para comermos barro! Enfim, a chuva se foi e deixou a lama. Seguranças avisavam que não tinha como sair, que era melhor ficar no carro. Foi quando todos ao redor voltaram a ouvir as batidas de fundo e falaram: “Vamos voltar pra festa!”. Foi a melhor coisa que fizemos. Enfim, nos enxugamos, tiramos o excesso de barro, penteamos o cabelo e caçamos algumas blusas mais secas. Voltamos para a festa (obrigada aos seguranças que nos liberaram, pois estávamos com a pulseira!) e curtimos a melhor “volta à festa” de nossas vidas. Foi, com certeza, o momento em que pensamos: ficaria aqui para sempre. Não importa o frio, a lama. Estava simplesmente muito bom, com um som perfeito. “Até que a grama vire lama.” O som da festa não parou. A energia continuou e com certeza a “promessa” de uma boa festa para o público foi cumprida – e muito bem. Parabéns à equipe por nos proporcionar mais uma vez uma festa cultural e que respeita a cena. Organizações assim nos fazem ter esperanças de que nossos valores ainda estão vivos e que nosso mundo utópico ainda acontece. São estes fatos que fazem aventuras na chuva, na lama e no frio valerem à pena. E que venha a próxima.
confira a galeria de fotos do Psicodelia PLUR – Namastê.