The Chemical Brothers – Further

Publicado em 22/06/2010 - Por

Eles estão de volta! Tom Rowlands e Ed Simons compõem um dos projetos de música eletrônica mais famosos e respeitados do mundo. Com uma lista imensa de hits no currículo, o Chemical surpreende muita gente com um álbum incrível que me é difícil acreditar ser de hoje. Vindo de dois discos fracos, o Chemical de 2010 não é mais o mesmo da ‘The Salmon Dance’ – glória, glória, aleluia! – tampouco é o mesmo de ‘Hey Boy Hey Girl’. Quem esperava mais uma coletânea de hits para rádio e bangers para pista, terá uma grande decepção. Já quem não esperava nada, ou torcia por uma retomada da dupla, encontrará em ‘Further’ uma viagem surpreendente de tirar o fôlego. O álbum se divide em oito faixas que se misturam umas com as outras, não como em um disco mixado, mas como parte de um único todo. Um conceito cada vez mais raro na década em que vivemos, onde os chamados ‘álbuns’ costumam ser um mero apanhado de músicas lançadas em EPs que tiveram maior sucesso comercial.

‘Further’ chega a soar estranho dentro desse contexto. Como pode uma dupla de veteranos famosíssimos lançar músicas que foram pensadas como álbum, construídas como álbum, fazem sentido como álbum e merecem ser ouvidas como tal? Só posso dizer, ainda bem que o fizeram. ‘Snow’ abre o disco e não é preciso vencer o primeiro minuto para perceber que algo de diferente acontece aqui. De longe a minha faixa favorita, ‘Snow’ é composta por glitches, bass, um vocal doce que canta “your love keeps lifting me higher” e… só. Quem precisa de batida quando se tem timbres tão maravilhosos? Quando chegamos quase que imperceptivelmente na segunda faixa já fomos devidamente preparados para a viagem que se segue. ‘Escape Velocity’ se prolonga por 12 minutos sem falhar por 1 segundo, se eu viajasse para a Lua gostaria de pousar ao som dessa música. Daqui pra frente pode-se dizer que o melhor já passou, não que as outras faixas sejam ruins, mas superar esses 17 minutos iniciais é pedir de mais. ‘Another World’ esbanja timbragens alucinantes e é levada pelo synth mais inteligente que ouvi esse ano. Aproveitando a deixa, a síntese sonora é o grande trunfo desse trabalho, timbragens incríveis permeiam todas as faixas. Quanto mais escuto mais me impressiono. Amigos produtores, por favor aprendam algo com isso! ‘Dissolve’ é puro rock’n’roll e ‘Horse Power’ a faixa mais agressiva das oito. Essa última possui o estranho poder de arrancar gargalhadas de meninas – vi acontecer duas vezes – com seus samples de relincho de cavalos. Em ‘Swoon’ encontramos o momento mais pop do álbum, aqui foi inevitável lembrar de Daft Punk e seu ‘Interstella 5555’, o que me lembra que foi anunciado que ‘Further’ também será uma viagem visual, mas não tenho mais informações a respeito. ‘K+D+B’ soa como um b-side de alguma banda indie qualquer e traz um clima mais leve e despretensioso, abrindo caminho para ‘Wonders of the Deep’ dar seu recado final. Essa última música grita Beck aos meus ouvidos, mas pode ser só coisa minha. Terminada a viagem eu indicaria uns cinco minutos de silêncio, para eventuais reflexões, seguido de um repeat. Queridos, para quem como eu achava que Chemical Brothers era coisa do passado, aqui está a prova de que a dupla ainda tem muito a nos ensinar.

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