Universo Paralello Festival

Veja o relato da vivência de sete dias no Universo Paralello Festival, da escritora Marina Tavares. A matéria conta com entrevistas com os projetos Loud e Braincell; e a colaboração de fotos e vídeos, tanto amadores, quanto profissionais. Vale a pena conferir!

Marina Tavares em 12 de Março de 2014

Nos dias 27 de dezembro a 04 de janeiro, em Pratigi, Bahia, aconteceu a 12° edição do maior festival de música eletrônica do Brasil, e um dos maiores do mundo, o Universo Paralello!

Pratigi tem uma energia incrível, o lugar é mágico! Possui uma praia espetacular, com areia branca, água quente, onde não se vê poluição, um verdadeiro santuário de belezas naturais! A população local é um charme a parte, todos muito simples e felizes com a oportunidade de receber tantos turistas, e poder trabalhar no festival. 

A infraestrutura do festival foi ótima, receber 20.000 pessoas durante sete dias, com certeza não é uma tarefa nada fácil! O festival possuía muitas áreas de camping, com vários chuveiros, possibilitando que não ficássemos tanto tempo na fila esperando para tomar banho, e pudéssemos nos refrescar durante o trajeto de uma pista para a outra. O pronto socorro do festival ofereceu condições adequadas para o público, e foi munido de ambulâncias e outros cuidados.

A praça de alimentação oferecia as mais diferentes variedades de alimentos: açaí, sucos, pizzas, hambúrguer, macarrão, estrogonofe, Yakisoba, comida vegetariana... Alguns pontos contavam com pessoas que falavam inglês, o que foi de extrema importância, devido ao grande número de estrangeiros que o festival recebeu. No camping, podia ouvir-se pessoas conversando em inglês, espanhol, e inclusive, outros idiomas aos quais não consegui identificar, possibilitando uma grande variedade de culturas em nossa celebração! Confesso que, esse foi um dos fatores que chamou a minha atenção, pois, em outros festivais aqui no Brasil, a maioria dos gringos vem somente para tocar, e dessa vez, vieram vários para curtir, deixando assim a nossa pista de dança mais bonita, e repleta de várias etnias! 

A pista do Universo Paralello mostrou que somos todos iguais, e pessoas com deficiências, tanto física quanto mental, também podem se divertir, tanto quanto nós, ou talvez até mais! 

Encontravam-se no festival vários índios mostrando um pouco de sua cultura, com artesanato, pintura corporal, e em alguns momentos, se juntando a nós na pista de dança.   

Outro ponto que vale a pena destacar, foi a presença de belas crianças no festival. A criançada se divertiu com atividades recreativas, brincadeiras, aulas com profissionais de circo, cama elástica... Sendo assim, o Universo Paralello proporcionou harmonia e diversão para todos os presentes, seja qual fosse a sua idade. Também pude notar a presença de belos cães, mostrando que o festival é uma união entre todos os seres! 

A cidade paralela também contou com áreas de cura, massagem, acupuntura, e aconteceram sessões de yoga, slackline, atividades circenses, exposições de arte, teatro, e cinema.

O amor estava no ar! O festival foi o palco de união de alguns casais, que decidiram se casar por lá mesmo. 

Podia notar-se a presença de corpos nus, pois, o Universo Paralello é um lugar onde o respeito é mútuo! 

A decoração foi feita com materiais recicláveis, mostrando que, o que um dia foi lixo, no próximo pode virar algo de grande beleza! 

O festival contou com seis palcos, o Main Floor, 303 Stage, UP Club, Tortuga, Chill Out, e Palco Paralello. Com uma grande variedade de artistas e estilos.  

O Main Floor foi mais afastado da praia, devido ao retorno do som, mas pensando no nosso bem estar, e no sol escaldante da Bahia, a pista teve um sistema de irrigação de água, durante todo o dia, deixando-a com um ambiente fresco.  

A responsabilidade de abrir a pista principal foi do italiano Hypogeo, que fez bonito! Ele mandou muito bem, com o seu estilo de som mais pesado e sério, agradando ao público desse palco, que destacou o Psychedelic Trance. Segundo o manual do festival: “Ali o campo de meditação acontece, a mágica, em sua maior intensidade”. A figura da caveira no palco principal, ganhava cores e vida durante à noite!

Logo pela manhã, começava o Goa Trance, estilo que não se encontra frequentemente em festas no Brasil, somente em alguns festivais. Confesso que, foi a minha hora favorita! Nunca vi a pista tão linda, com pessoas passando boas vibrações, se divertindo, dançando, e até se sujando, por que não?

O Zim era constantemente jogado na pista, e trouxe cores, alegria, e diversão! 

Grandes nomes de destaque passaram por lá, de Old School, até as sonoridades mais atuais, tais como: Merkaba; Bamboo Forest; Electric Universe; Laughing Buddha; ESH (Hujaboy); Penta; Cosmosis; Avalon; Etnica; Altruism; Burn in Noise; Green Nuns of the Revolution, projeto de um dos maiores nomes da música eletrônica, Dickster; Circuit Breakers, que é a junção de Dickster com Burn in Noise; o britânico DJ Lucas, que pertence à lendária gravadora TIP Records; Ital; 28 Live, projeto formado por Pedrão e Shove; os sérvios Zyce e Flegma; Rinkadink; Perfect Stranger; Materia; Brainiac; Dropped, a união de Element e Mental Broadcast; Digoa; os irmãos Alok e Bhaskar, do Logica; Second, formado pelo casal Bhaskar e Priscilla; Ekanta; Helber Gun; Techyon; Pspiralife; Rica Amaral; Psychowave; Twelve Sessions; DJ Moon; Earthspace; Back To Mars; e muito mais...

Confira o vídeo abaixo que o mineiro Lucas Chaves nos cedeu, da apresentação do israelense ESH (Hujaboy):

Outro grande nome de Israel que tocou foi o projeto LOUD, e foi um dos melhores momentos do festival! O público ficou ensandecido quando Kobi Toledano tocou um de seus maiores hits, Small Talk, e começaram a subir nas caixas de som! Veja no vídeo cedido por ele:

Confira na coluna de entrevistas, a conversa que tive o prazer de fazer com o duo israelense Kobi e Eitan Reiter. 

Outro grande artista do Psychedelic Trance que se apresentou, foi o alemão Braincell. Eu tive a chance de bater um papo com ele, falando um pouco sobre a sua carreira, e como foi se apresentar no Universo Paralello, confira também na coluna de entrevistas do site. 

Mais um nome de peso que tocou no palco principal foi Marko Radovanovic aka E-Clip, segue abaixo o vídeo do talentoso Lucas Chaves, com um pouco de sua apresentação, com detalhe para os grandes artistas que estavam prestigiando o sérvio na pista, LOUD, Captain Hook, e Symbolic.  

Também passaram por lá grandes nomes do Progressive Trance, tais como: Major7, Captain Hook, Fabio Fusco, Phaxe, Symbolic, Max Grillo, Vitor Falabella... Destaque para o veterano alemão Shiva Chandra. 

O escolhido para tocar na virada foi uma lenda do Progressive Trance, Atmos! O sueco harmonizou uma longa introdução com os fogos de artifícios, tocando seus hits, tanto do Progressive Trance, como Horizon Of The Pickled Coffin, quanto do Progressive Goa Trance, The Only Process, e finalizou com o remix da bela track de Z to A - Next Stop: Oblivion. 

Segue abaixo uma amostra do que foi a virada do ano: 

Uma grande surpresa que rolou foi o projeto brasileiro Formatick, uma mistura de eletrônico com sons de guitarra. Esse é um ponto muito legal do festival, poder conhecer novos sons de qualidade!

Falando em mistura de eletrônico com guitarra, vamos falar um pouco sobre a pista 303 Stage, e do melhor live que rolou por lá, Cosmosis! Pude conferir a sua apresentação, que foi simplesmente épica! Além de todo o seu talento, nesse mix entre eletrônico e Rock N’ Roll, ele mostrou o seu grande carisma, descendo do palco e indo junto aos fãs, no momento de sua apresentação.  

Confira um pouco da energia que rolou na pista 303 Stage nesse momento:

Outra atração que vale a pena destacar foi a dupla Ectima, formada por Zyce e Flegma, que mostrou mais uma vez, o porquê a música da Sérvia faz tanto sucesso no mundo inteiro!

O palco 303, que foi o ambiente preferido de grande parte do público, por ter sido localizado estrategicamente ao lado da praia, proporcionou um clima arejado, e uma bela visão! A pista também recebeu grandes artistas, com destaque para: The First Stone, formado por Swarup, Zumbi e Burn in Noise; Solar Spectrum, projeto paralelo do Braincell; Mindfold, a união de Brainiac com Materia; Wega; Element; Capital Monkey; Rinkadink; Flip Flop; Technology; Magma Ohm; entre outros...

O UP Club, pista voltada para as vertentes de House e Techno, contou com grandes nomes conhecidos, tais como: Dimitri Nakov, Felguk, Electrixx, Gabe, Alok, James Monro, Alex Stein, Dre Guazelli, Yan Brauer... A melhor apresentação que rolou foi do Atmos! Ele levantou a pista, e não deixou ninguém parado, tocando as suas faixas de Progressive House. 

O Chill Out, área alternativa onde rolou um som mais relaxante, contou com grandes artistas. O nome de maior destaque foi do veterano Rica Amaral, que é grande responsável pela divulgação da cultura alternativa aqui no Brasil. No momento de sua apresentação, o público entrou em transe com a sua música!

O Palco Paralello ganhou mais destaque, com a abertura do cantor Criolo. Nessa área aconteceram shows de reggae e música alternativa.

O responsável pelo encerramento do festival, como não poderia ser diferente, foi o idealizador dessa grande celebração, Swarup! Ele encerrou com chave-de-ouro, com a capela da música Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas, em espanhol, cedida por sua filha, a DJ Vivi Seixas.

Foi uma grande alegria fazer parte dessa celebração, reencontrar velhos amigos, e fazer novos do mundo inteiro! Definitivamente, eu espero voltar na próxima edição, daqui a dois anos, e quero agradecer ao Juarez Petrillo, por possibilitar-me a chance de estar lá, e trazer esse relato a vocês, dos dias mágicos que vivi naquele paraíso, chamado Universo Paralello!

 

Texto e entrevistas

Marina Tavares

 

Fotos

Mauricio Nataka

Thiago Ramos

 

Vídeos

Lucas Chaves

LOUD

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