Estudo aponta que 73% dos músicos já experimentaram stress severo, ansiedade e depressão

Publicado em 30/07/2019 - Por

Calendário cheio de datas, apresentações em clubes e festivais lotados, hotéis e restaurantes de luxo em cidades diferentes: a vida com que muitos artistas sonham – e que poucos de fato vivem – parece um grande conto de fadas.

Entretanto, a realidade da rotina de vários artistas de sucesso é bem menos badalada. E se a face mais visível dos bastidores nada glamourosos consiste em aeroportos como segunda casa, cansaço constante pelas viagens e poucas horas de sono, a menos visível é muito mais sombria: a saúde mental dos artistas está em constante risco. E precisa ser (mais) discutida com franqueza pela indústria.

Nos últimos anos uma série de eventos extremos escancarou uma situação pouquíssimo relacionada à imagem de um cenário que trabalha com o oposto destes quadros, a diversão. Transtornos relacionados à ansiedade, quadros depressivos, crises de pânico e suicídio ainda são palavras pouco comuns no meio do entretenimento, revelando um incômodo tabu. O tema foi ganhando corpo, à medida que o próprio ambiente das redes sociais se mostrou um forte agente agravante dos problemas, conforme esta matéria de 2018 da revista britânica Mixmag. As naturais comparações com outros artistas ganharam novos contornos nas redes, onde popularidade e fama são medidas com curtidas e alimentadas por polêmicas.

A morte de Avicii no ano passado reacendeu de vez o debate que ainda era tímido. O artista, um dos maiores fenômenos da EDM, se afastou dos palcos em 2016 e passava por problemas diretamente ligados ao seu estilo de vida. Uma matéria de 2013 da revista GQ Magazine dizia que o jovem artista vivia uma dieta “a base de energéticos, cigarros e comida de aeroporto”.

O suicídio num resort em Oman, em 2018, foi o estopim para que o tema da saúde mental dos artistas e profi ssionais da cena eletrônica fi – nalmente viesse à tona com a atenção que merece.

A edição de 2019 da IMS Ibiza dedicou algumas de suas atividades a debater o tema. Numa entrevista concedida à DJ Mag no começo do ano, o DJ e produtor holandês Armin Van Buuren admitiu, pela primeira vez, que sofreu depressão em 2010.

“Outros DJs que sabiam sobre meus problemas e o que eu estava passando riam disso – porque não era comum falar sobre o assunto” disse Armin, revelando o quão grande era o preconceito em torno do assunto.

Se no circuito de sucesso desta indústria estes problemas são comuns, o que dizer das camadas de base da pirâmide do ecossistema? Dos artistas obcecados por chegar ao topo passando por toda uma cadeia de profi ssionais anônimos muitas vezes expostos à condições extremas de trabalho – e quase sempre sem reconhecimento, são milhares de pessoas fl ertando perigosamente com transtornos psicológicos e mentais.

Um estudo realizado pela distribuidora digital norte-americana Record Union revelou que 33% de cerca de mil e quinhentos músicos independentes entrevistados já tiveram episódios de ataque de pânico. O nome do documento, “The 73 Percent Report” é alusivo ao assustador índice de que 73% dos mesmos músicos entrevistados já experimentaram stress severo, ansiedade e depressão relacionados à sua música.

Buscando espaço num cenário altamente competitivo e muitas vezes atravessando problemas fi nanceiros (quando não questionando o próprio talento), os milhares de artistas que não alcançaram a fama se deparam com os mesmos tipos de problemas do que os que estão no topo. Um músico entrevistado pela Record Union e que preferiu manter-se anônimo indica que o problema

“Precisa haver uma mudança de cultura, de arte antes do lucro, de incentivar diversidade, benevolência e abnegação. Alimentar a diversidade cultural é bom para todos, mas colocar o dinheiro em primeiro lugar mata o vigor da cena musical, sua diversidade e sustentabilidade”.

Via BRMC

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