Save The Rave!

Publicado em 24/03/2010 - Por Eliel Cezar

A origem e o fim das primeiras raves em documentário que promete muito! Confira o trailer!

Imagine o terrível cenário: jovens se reúnem aos milhares em locais afastados com o objetivo de dançarem até amanhecer ao ritmo de batidas eletrônicas aceleradas e viajadas. A sociedade de bem, assustada devido à sua ignorância e limitação, usa leis e repressão policial para combater o que não entendem. Não estamos falando de Santa Catarina ou interior de São Paulo, mas sim do norte da Inglaterra, casa das primeiras raves. O cenário do Reino Unido nessa época é de crise. E, como sabemos, cenários de crise são substrato fértil para o nascimento de movimentos culturais. Como a flor que surge do esterco, o movimento hippie ganhou força com os conflitos da Guerra Fria, o movimento punk com o quebra-quebra financeiro da crise do petróleo de 73, e o Techno brotou das ruínas das grandes indústrias automotivas de Detroit. Em fins dos anos 80, a regra novamente se repete. O norte da Inglaterra, castigado com mais uma crise, vira um verdadeira cemitério de galpões (“Warehouses”) devido à falência de diversas empresas. Isso enseja a criação de um movimento cultural. Pouco a pouco, milhares de pessoas começam a se juntar nesses galpões para curtir durante toda a noite, de graça ou quase de graça, as batidas do acid house, pai do trance. Tudo é ilegal, desde a realização até os “gatos” de energia, feitos em postes de luz nos arredores, para alimentar as caixas de som e o espírito de toda uma geração. Assim, em galpões abandonados, surge o que o mundo passa a chamar de rave, símbolo mais recente  de manifestação da contra-cultura na  nossa história. Além de um novo label de música eletrônica e o surgimento do “smiley” como símbolo, há mesmo quem atribua a esse movimento a diminuição da violência dos hooligans nos estádios de futebol. Mas a puritana sociedade inglesa, como bom establishment, não tarda a reprimir o movimento através da dureza do cacetete e da sutileza das canetadas. Aos poucos, o movimento é destruído, e a juventude transviada, os “misfits”, refugiam-se em Ibiza, Berlim, Goa ou outro lugar onde pudessem dançar em paz. Esse história maravilhosa e triste é contada por Piers Sanderson, um dos agitadores da época, no documentário High on Hope, que mostra como a lógica da vida, normalmente resumida no nascimento, reprodução e morte, não se aplica às raves. Após a morte é que elas se reproduzem; é a repressão que espalha a semente e transforma as raves e a cultura eletrônica num movimento mundial. Tenho que admitir que senti um arrepio na espinha ao ver o trailer. Imagino que você, nosso leitor amante da música eletrônica, vai sentir o mesmo. Afinal, mal comparando, isso não traz uma vaga lembrança do que acontece hoje em dia no nosso quintal? Pode não ser a nossa história, mas é a história dos nossos “pais”! Vamos fazer uma campanha para que passe no Cinemark?

SAVE THE RAVE

– Vi no Rraurl -> confira a entrevista completa com o produtor do documentário!

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