A farsa Jesus Luz: até quando vamos aguentar?

Publicado em 20/09/2011 - Por Mohamad Hajar

Qualquer pessoa que não passou os últimos dias na roça ficou sabendo da polêmica do último sábado envolvendo nossa figurinha carimbada Jesus Luz. Se você é das que não soube, resumo o causo: o “ex-brinquedinho da Madonna” (apelido carinhoso via @Tocadisco) foi convidado a ir ao Altas Horas para falar sobre sua carreira de DJ.

Após uma entrevista “merchan” meio sem conteúdo, nosso mais famoso polêmica-star DJ foi fechar o bloco discotecando um pouco (Madonna, é claro!) e pronto… Assim que o video da participação caiu na rede, todo mundo foi analisar procurando defeito e batata! Aparentemente os LEDs do mixer e da CDJ não apareciam acesos, ou seja, era fake, um grande teatro. Confira comigo no replay:

Imediatamente o assunto foi parar no Porra DJ, que esbanjou aumento de mais de 500% nas visitas diárias e uns 50.000 acessos sobre o referido post, e originou vários reblogs, como no Te Dou Um Dado, por exemplo. De prontidão, Serginho Groisman defendeu o seu convidado no Twitter, ao mesmo tempo que seu empresário apresentou justificativas mil nos meios de comunicação e enviou e-mails mal educados para blogueiros (PORRA!), promoters e casas noturnas que comentavam o assunto.

Analisando com mais calma, de fato, o mixer estava ligado, vide este botão Cue do canal 3 aceso:

 

Por fim, Gabriel Lucas do Factóide nos lembrou que dificilmente um DJ vai se apresentar de fato em um programa destes: além de não haver tempo suficiente para um verdadeiro DJ Set, a estrutura técnica de um programa de TV não permite “grandes coisa”. Bem, se o fechamento do bloco no Altas Horas foi fake ou não, realmente não interessa. Convenhamos: este fato só ganhou notoriedade por se tratar exatamente de Jesus Luz, alguém famoso por ser fake e embolsar mais dinheiro do que grandes gênios da profissão de disc-jockey. Então por que não aproveitamos o fato para reviver o debate?

Senta que lá vem história… PORRA®!

Tudo começa em 2009, quando o (até então) respeitadíssimo club Green Valley, tido pela DJ Mag como o melhor do Brasil e o terceiro melhor do mundo, o colocou para tocar no horário nobre do line-up. Tocadisco, DJ experiente e de carreira de projeção internacional estava presente e denunciou no Twitter. Fotógrafos que estavam presentes selaram o caso: foi fake. Pelo teatro, o garoto levou a bagatela de R$18.000,00. Para se ter noção, é mais do que grandes nomes como Trentemoller, Gui Boratto, Loco Dice e muitos outros já ganharam para tocar neste mesmo club.

 

 

Alguns chegaram a dizer que ele seria a salvação da e-music, pois abriria os olhos de produtores de eventos e público para as farsas, mas o que vimos nos dois anos seguintes foi exatamente o contrário: muitas outras sub-celebridades gostaram da idéia e a cena house-pop-leiga foi invadida por ex-BBBs, atores, modelos e até ex-prostitutas achando que, da noite pro dia, viraram DJs. Tá aí mais uma vez o PORRA DJ que não me deixa mentir: o blog recebe mais de 5 denúncias diárias de dead acts e similares mundo afora e conta com um acervo de centenas e/ou milhares de posts sobre o assunto. Na onda, até uns tidos como DJs de verdade e TOP DJs internacionais já foram denunciados, incluindo o próprio Top 14 da DJ Mag, Steve Angello.

A pergunta que temos que nos fazer é: o que precisamos fazer para moralizar novamente a cena?

Algo tem que ser feito para expulsar estes charlatões do lugar que deveria estar sendo ocupado por quem estuda e se dedica para ser um bom DJ! Pode soar meio radical, mas PORRA! Atores que voltem para a televisão, modelos que voltem às passarelas e ex-BBBs que voltem… que voltem… que voltem ao ostracismo! E antes de culpar o público, vamos lembrar que quem vai nessas festas é o público leigo, que um dia antes estava no show do Luan Santana e no dia seguinte vai estar em um churrasco de universidade, ou seja, pessoas nem aí para a música que vão seguir o que tiver que seguir.

Vamos culpar quem então? Donos de club, promoters, agentes? NÃO SEI. Está na hora de moralizar. Um levante de boicote aos clubs, encher seus twitters e facebooks de comentários negativos, sugerir artistas decentes, exigir seriedade por parte de quem promove o mercado do entretenimento noturno. Isso vale não só para quem contrata ex-BBB: podemos estender para qualquer tipo de evento, que adoram colocar pessoas não capacitadas a exercer o seu trabalho nas cabines.

E então, quem está conosco?

Post produzido especialmente para o PorraDJ, em parceria com Jesus Light.

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